Eu como fã dos games e da franquia no cinema, fui assistir o filme com grandes expectativas, estava imaginando que o diretor tinha evoluído e amadurecido, e que realmente ele estava com muita vontade de transformar Resident Evil 5: Retribuição em um filmaço, diferente de tudo que já tínhamos visto, já que ele andou dando entrevistas que ia surpreender todos.
Puro engano, fui assistir o filme em 3D, imaginando que agora com mais experiência com o uso dessa técnica Paul W.S. Anderson tivesse criado algo novo, ao invés disso ele repetiu a cena com o lançamento do machado contra a platéia, como no filme anterior, sem o menor pudor de se auto plagiar. Neste filme ele também está abusando do uso de CGI mais do que nunca, certas cenas você vai acabar pensando "putz de novo isso?". Outro tiro no próprio pé, é o grande resumo que a personagem Alice faz no início do filme sobre tudo que aconteceu anteriormente, tudo bem que isso existia nos outros, mas aqui parece uma aula didática para pessoas leigas sobre a franquia.
As seqüências de ação estão no estilo "non stop", como foi prometido. Só que isso acaba tirando qualquer chance de um diálogo mais bacana, ou aquela frase de efeito que todo mundo gosta. O filme querendo ou não é um blockbuster, e são esses detalhes que acabam fazendo diferença. Falta ao diretor Paul W.S. Anderson assistir mais filmes de John Woo, para aprender alguma coisa sobre ação e tiroteios. O único momento que há uma boa sacada no filme é quando Alice (Milla Jovovich) e a personagem de Michelle Rodriguez (Rain Ocampo) se esbarram pela primeira vez. Onde Alice diz: "Você não é muito gentil...vejo que você não mudou muito"
O grande chamariz do filme realmente é a presença de Michelle Rodriguez, e é ela que garante os melhores combates. Realmente é muito bom ver Michelle "bad girl" quebrando ossos.
O filme não é péssimo, mas decepciona. Parece um videoclip gigante com algumas cenas bacanas. Como fã da série fica claro que o desgaste é evidente, o uso de cenas clichês pelo diretor plagiando até outros filmes e as soluções banais como no caso do desfecho da personagem de Michelle Rodriguez, acabam causando um saldo extremamente negativo para o filme.
O ator Johann Urb não tem carisma nenhum seu Leon S. Kennedy, não acrescenta nada ao filme, assim como Chris Redfield interpretado pelo ator Wentworth Miller no filme anterior, praticamente um desfile de cosplay cinematográfico. Finalmente um personagem completamente inútil e dispensável desde do filme anterior tem seu fim Luther West (Boris Kodjoe), essa sim é uma boa notícia. Você é fã do personagem Carlos Oliveira feito por Oded Fehr?. No meio de tantas cenas de ação você vai acabar nem notando ele. Cortesia do descontrole do diretor.
O próprio Paul W.S. Anderson já deu algumas declarações, que seguiria com a franquia sem Milla Jovovich e que ainda teria muita história para contar, e que já estaria pensando em uma trilogia sem Milla. Espero que sejam só boatos, eu espero que ele pelo menos consiga encerrar a franquia de forma descente. Porque a galinha dos ovos de ouro da Capcom está em processo de decomposição se permanecer muito mais tempo nas mão de Paul W.S. Anderson. O primeiro filme Resident Evil (2002), conseguiu dar um novo gás aos filmes de zumbi, com ótimas idéias e cenas, em Resident Evil: Apocalipse (2004) novos personagens como Jill Valentine (SIENNA GUILLORY) e o Nemesis, fizeram a alegria dos fãs, em Resident Evil: Extinção (2007) foi um belo Mad Max com zumbis que funcionou. Mas depois a falta de rumo e idéias do diretor só pioraram a franquia.
Não é um filme péssimo graças a algumas cenas bacanas, e o saudosismo de trazer de volta Michelle Rodriguez, mas foi feito de forma tão desleixada, que até quem é fã precisa de uma dose extra de paciência. Se tivesse que dar uma nota seria 6.5, talvez quando for lançado em blu-ray com extras e tudo, funcione melhor. Não recomendo assistir esse filme no cinema, muito menos em 3D. Tenha cuidado com Paul W.S. Anderson, ele está infectado com o "las plagas".

































