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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Trinity Goes East (1998) filme traz encontro de Bruce Lee com a série Trinity de Bud Spencer e Terence Hill

Posted by Cândido Augusto on 21:04


Bud Spencer e Terence Hill encontram Bruce Lee, pode parecer inacreditável mas alguém pensou que isso podia virar filme. Houve muito questionamento sobre o novo filme Robocop (2014) que o diretor José Padilha, não teve liberdade criativa de colocar todas suas idéias no filme, tendo que seguir regras e algumas ordens do que deveria ser feito. Mas agora amigo leitor imagine um diretor e toda uma equipe "técnica" que não tem compromisso com nada nem com ninguém? 

Aproveitando o famoso movimento Bruce Lee Exploitation dos anos setenta, que rendeu pérolas trash como Bruce Lee Fights Back From The Grave (1976), The Clones of Bruce Lee (1981). Os anos noventa não poderiam ficar de fora, e temos Trinity Goes East (1998) algo como "Trinity vai ao Oriente". 


O filme é dirigido por Robert Tai que é sem dúvida um dos diretores de filmes de kung fu mais influentes que trabalham na indústria foi coreógrafo na Shaw Brothers, e já foi diretor de ação em clássicos como 5 Venenos Mortais (The Five Deadly Venoms, 1978), mas também não escapa do termo o rei da picaretagem. Numa comparação maluca pode se dizer que Robert Tai seria por exemplo o Uwe Boll asiático. 

Também já teve a cara de pau de lançar Fist of Legend 2: Iron Bodyguards (1996) na tentativa de pegar carona no clássico de Jet Li Lutar ou Morrer (Jing wu ying xiong / Fist of legend, 1994). E na cara de pau usou um ator chamado Jet Le, seu filme Fist of Legend 2 também conta com a participação do famoso Bolo Yeung. 

 Trinity Goes East (1998) faz parte daqueles famosos filmes que de tão ruim, cretino e sem noção, acabam divertindo ainda mais. Somente uma mente insana poderia imaginar uma junção e ao mesmo tempo picaretagem em cima dos filmes Trinity e juntar a isso Bruce Lee. 

 Você pode até estar se perguntando um filme que usa os personagens clássicos dos filmes Eles me Chamam Trinity (Lo Chiamavano Trinità, They Call Me Trinity, 1970) e sua seqüência Trinity Ainda É Meu Nome (Trinity Is Still My Name, 1971), não tem como dar errado, depende da intenção. 

O mais próximo de Trinity que se pode chegar nesse filme, é na trilha sonora de Alessandro Alessandroni, que acaba usando os assobios clássicos da trilha original. Para piorar ainda mais o melhor ator no filme é um porco, sim o animal. De repente as "camadas" nesse filme sejam ainda maiores do que eu pensei, então Bruce Lee encontra Bud Spencer e Terence Hill mais o Babe, O Porquinho Atrapalhado!!!!. 

Para representar a dupla mais querida do cinema o papel de Trinity que antes era de Terence Hill, cai nas mãos do sem vergonha Steve Tartalia que já foi vilão em Um Kickboxer Muito Louco (Armour of God II - Operation Condor, 1991). 


Para o personagem Bambino de Bud Spencer é chamado o quase semi-mendigo (pelas roupas que usa no filme) Roberto Lopez que é fundador da firma Stuntworks de dublês. Steve Tartalia (Trinity) faz um esforço sobre humano para tentar fazer qualquer trejeito que lembre Terence Hill, mas pode ter certeza que nem em 20 anos ele consegue, tamanha a canastrice desse cara. Tem momentos que se nota que ele não esta prestando atenção ao diálogos dos outros personagens. 

 O filme já abre logo com um ataque ninja em plena luz do dia, lembram como os ninjas somem jogando aquela cortina de fumaça?. Pode esquecer, isso é para amadores, eles somem na base do corte seco no video. 


Nosso amigo Bruce Lee cover é "interpretado" por um ator chamado Sky Dragon (Meng Ray) que ao que parece só fez esse filme. Se bem que a semelhança desse ator com o Bruce Lee verdadeiro é maior do que aquele sujeito que foi usado lá em O Grande Mestre - A Batalha Final (Ip Man - The Final Fight, 2013). 


Bruce cover invade o Templo Shaolin e enfrenta o nosso diretor picareta Robert Tai o abade do templo. Depois de dar uma surra no abade se descobre que ele está ali, enviado por um chefe de uma vila para proteger o templo e a esfera do Dragão. Melhor impossível você surra primeiro e se apresenta depois. 

Trinity agora é um ladrão picareta que rouba a esfera do Dragão do Templo Shaolin, para vender ao vilão do filme o ator que foi o rei dos chutes no cinema asiático John Liu (Roger Pacshy). Para termos certeza que o diretor está a frente de seu tempo Steve Tartalia (Trinity) consegue se livrar de .....amigos leitores vou chamar de Bruce cover, não tem como. Ainda mais com aqueles óculos escuros!!!. Então Trinity consegue se livrar de Bruce cover com um drone!!!!!!. 

Roberto Lopez (Bambino) e seu porco de estimação, chegam ao templo e descobrindo a situação partem em busca de Trinity, com a ajuda não requisitada do nosso Bruce cover. O primeiro alívio visual no filme é da bela atriz Helena Lee Hung (Wen Ling), talvez a cena mais ou menos artisticamente bem filmada do filme seja a entrada dela. Digo mais ou menos porque não sei se a cópia do filme que tenho é ruim ou o diretor filmou mesmo no contra luz, com céu nublado sem qualquer cerimônia se o fundo está bom ou não. Mas acho que é querer demais imaginar que alguém se preocupou com isso. 


Ela trabalha como guia de turistas num hotel onde Trinity se esconde, e acaba virando o interesse amoroso de Trinity. Se Steve Tartalia já não convencia como Trinity imagina como galanteador, é tão irritante que você começa a torcer para Roberto Lopez (Bambino) dá-lhe uma porrada. 

Nesse hotel é onde acontece algumas das cenas mais hilárias, o "porquinho atrapalhado" acaba comendo a esfera do Dragão, em várias cenas da para notar que o porco também tem seu dublê de borracha. Mas aqui ocorre algumas cenas em que o pessoal da sociedade protetora dos animais deixaram passar. Trinity sacode, chuta, joga para o alto o porquinho, e dá para ver que não é o porco de borracha!!!. 


Como a esfera demora para ser entregue o vilão John Liu (Roger Pacshy) acaba ligando para o Disk-Ninja!!!!...Já que os ninja tem celular!!!. Os ninjas vão ao encontro da dupla, para seqüestrar Helena Lee Hung (Wen Ling), mas são impedidos com a ajuda de Bruce cover. Por um instante você até lembra o clássico Ninja, a Máquina Assassina (Enter the Ninja, 1981) as lutas até que não são ruins, já que quase todo mundo no filme é dublê.  



Numa segunda tentativa um grupo de capangas consegue seqüestrar Wen Ling, viram como é um diretor coerente, capangas conseguem o que os ninjas não conseguiram!!!. É onde entra um grande dilema do filme o porco fica doente por causa da esfera. E agora vamos salvar Wen Ling ou cuidar do porco?..adivinha qual é a prioridade?. 

 A cena emotiva de Roberto Lopez (Bambino) com o porco é para dar gargalhada por um bom tempo, nisso o porco morre mas ele ressuscita!!!!!. E Trinity consegue roubar de novo a esfera do Dragão para salvar Wen Ling que esta na vila, a preocupação de Trinity parece nenhuma, mas o que dizer de um "ator" que perde em atuação para um porco. Bambino e seu porco seguem para a vila e são atacados pelos ninjas. Só que nessa luta até o porco enfrenta os ninjas!!!. 


 Depois de todas essas reviravoltas temos finalmente o confronto do nosso Bruce cover contra o vilão John Liu (Roger Pacshy) na vila. E depois dessa montanha russa de loucuras você não vai acreditar na conclusão dessa saga, só vendo mesmo. A luta de Bruce cover e John Liu pode ser vista nesse video:



O diretor Robert Tai deve estar realmente a frente de seu tempo, para tanta idéia absurda em tão pouco tempo. Se bem que se fosse cortado uns 20 minutos desse filme com diálogos inúteis ele teria até um ritmo ágil, já que o filme parece maior do que é. Por mais que você queira entender a mente esquizofrênica do diretor, a sua genialidade deve ser única. 

Porque fica a pergunta ele queria agradar quais fãs?... os do Bruce Lee?...Os fãs de Bud Spencer e Terence Hill?...ou do pessoal que curte os filmes de kung fu?. No melhor das hipóteses ele queria era tomar uma coça do três grupos de fãs...de repente um processo não faria mal. Mas Robert Tai não se deu por vencido no ano seguinte foi explorar o Blaxploitation com Shaolin Dolemite (1999), mas esse fica para outra vez. 

Me pergunto se alguém em sã consciência, realmente acreditou que estaria vendo o terceiro filme da série Trinity, ou um filme de Bruce Lee. Se bem que no caso de Bruce Lee eu já presenciei alguém perguntado: "Quem é Bruce Lee?". Mas se você que é louco por filmes, e assim como eu é fã dessas três vertentes do cinema, não vai conseguir resistir a assistir a mais esta pérola trash.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Deus perdoa ... Eu não! (Dio perdona... io no!, 1967)

Posted by Cândido Augusto on 17:52



O primeiro filme da dupla Bud Spencer e Terence Hill, que deu início a uma das parcerias mais famosas e queridas do cinema, isso descontando um filme anterior chamado Aníbal O Conquistador (Annibale, 1959), que até onde sei, não teve nenhuma cena da dupla interagindo. Mas pode ir esquecendo toda aquela parte cômica e divertida da série Trinity o filme Deus perdoa ... Eu não! (Dio perdona... io no! / God Forgives... I Don't!, 1967) é um violento western spaghetti. 

Se Sergio Leone teve sua trilogia do doláres, o diretor Guiseppe Colizzi acabou sendo esquecido, sua trilogia teve início com Deus perdoa ... Eu não! (Dio perdona... io no! / God Forgives... I Don't!, 1967),  Os 4 da Ave Maria (I quattro dell'Ave Maria, 1968) e Boot Hill - A Colina dos Homens Maus (La collina degli stivali, 1969) onde ele nos apresenta os personagens de Cat Stevens (Terence Hill) e Hutch Bessy (Bud Spencer). Quem já teve oportunidade de assistir a trilogia de Guiseppe Colizzi também deve ter notado a disparidade entre cada um dos filmes, nem parece que foi o mesmo diretor que dirigiu os três. 

Enquanto Deus perdoa ... Eu não! é um espetáculo de violência, o segundo capítulo da trilogia Os 4 da Ave Maria é uma obra prima contendo todos os elementos clássicos do western spaghetti, e já moldando o estilo da dupla Bud Spencer e Terence Hill, com alguns toques de humor e o famoso estilo de luta de Bud Spencer. Os 4 da Ave Maria pode figurar tranquilamente em qualquer lista de melhor western de todos os tempos. Nosso saudoso Guiseppe Colizzi costumava ser acusado de emular o estilo de Sergio Leone, e este filme pode ser considerado seu O Bom, o Mau e o Feio já que tem a presença de ninguém menos que o ator Eli Wallach que fazia o personagem Tuco no filme  O Bom, o Mau e o Feio (Il buono, il brutto, il cattivo, 1966). É inacreditável como estes filmes não chegaram a era do bluray, talves agora com Django Livre de Quentin Tarantino o western tenha uma atenção maior das distribuidoras.

Já o último capítulo da trilogia Boot Hill - A Colina dos Homens Maus é completamente estranho, confuso e com cenas cansativas, realmente Guiseppe Colizzi não conseguiu encerra a trilogia em grande estilo como fez Sergio Leone. Como eu disse nem parece que foi o mesmo diretor do filme anterior, nem a trilha sonora se destaca. Colizzi só voltaria a trabalhar com a dupla na comédia Dá-lhe Duro, Trinity (Più forte ragazzi!, 1972)

Picaretagens e malandragens a parte fizeram todos estes 3 filmes virarem "Trinity" por algumas distribuidoras, não só no Brasil mas ao redor do mundo. Algumas das pérolas: o filme Deus perdoa ... Eu não! no Brasil acabou saindo cartazes com o título Deus perdoa ... Trinity não!, o segundo filme Os 4 da Ave Maria tem a burrice ainda maior já que ganhou o título de "Assim Começou Trinity", já o terceiro filme apenas teve uma pequena mudança e virou "Trinity e a Colina dos Homens Maus". Isso sem falar em mais duas picaretagens chamadas: Sons of Trinity (Trinità & Bambino... e adesso tocca a noi, 1995) e Trinity Goes East (1998).


Mas vamos falar de Deus perdoa ... Eu não! (Dio perdona... io no! / God Forgives... I Don't!, 1967), o título em si, já é um show a parte. Por uma obra do destino quase não temos a criação da dupla Terence Hill e Bud Spencer, já que o papel de Terence Hill  inicialmente era do ator Peter Martell (Pietro Martellanza), e já haviam até cenas filmadas entre Bud Spencer ao lado de Peter Martell, mas graças a "DIO", Peter Martell quebrou um pé, depois de uma discussão com a namorada. E Terence Hill assume o papel do personagem Cat Stevens, até mesmo Bud Spencer foi escolhido apenas pelo seu tamanho. 

O filme é violento mesmo, sujo, mau e empoeirado, como todo bom western deve ser, e já começa a trama com um trem chegando a estação com seus passageiros todos mortos, a maioria com tiros na cabeça, por aí já temos uma idéia que o filme não está para brincadeira, o filme é tão violento que até um gato leva um balaço.


O  único sobrevivente consegue contar o ocorrido para companhia de seguros e sobre o roubou do ouro no valor de 300 000, Hutch Bessy (Bud Spencer) trabalha para a seguradora, e conta sobre o roubo para seu "mais ou menos amigo" Cat Stevens (Terence Hill) que  suspeita de Bill San Antonio (Frank Wollf), só que Bill era para estar morto, já que teve um duelo com Cat Stevens num barracão em chamas a um ano atrás e teria sido morto. O único ponto que pode se dizer negativo desse filme foi o uso excessivo do recurso de flashbacks, o diretor exagera, não atrapalha a trama mas poderia ter sido evitado, mas em 1967 quem se importaria. 


Cat Stevens começa a investigar e descobre que o bandido esta vivo, descobre também onde o bandido escondeu o ouro, nessa parte em que Cat Stevens está no esconderijo toca uma bela trilha sonora ao violão, infelizmente essa parte, não está na trilha sonora oficial de Carlo Rustichelli. 

Cat Stevens cai em uma armadilha e fica pendurado de cabeça para baixo, é quando os bandidos o encontram, e começa uma luta com Terence Hill de cabeça para baixo mesmo, você até torce para que Terence Hill consiga enfiar a porrada em todo mundo, mas não consegue e é salvo por  Bud Spencer. Na trilogia do diretor Guiseppe Colizzi os personagens de Bud Spencer e Terence Hill são totalmente o inverso dos filmes Trinity, enquanto Bud Spencer é mais bem humorado e até sorri!!!!. 


O personagem de Terence Hill é sério invocado e não sorri em momento algum. Os mais chatos vão dizer que Terence Hill está um Clint Eastwood puro e escarrado, mas mesmo assim ficou foda. Um ano depois Terence Hill foi fazer Django (Preparati la bara!, 1968).



Deus perdoa ... Eu não! é sem dúvidas o mais violento de toda a trilogia, quando Bud Spencer e Terence Hill conseguem roubar o ouro do bandido e esconde-lo, são capturados e torturados para valer, a cena de tortura de Bud Spencer e violenta mesmo, e você que pensava que a cena de tortura do filme Rambo era violenta, em 1967 a coisa não era amenizada. Por causa da violência do filme ganhou censura 18 anos em alguns países. Neste filme também tem uma cena mano a mano entre Bud Spencer e Terence Hill adivinha quem ganhou?




O diretor Guiseppe Colizzi pode até ter usado momentos "Sergio Leone", mas que ficaram irretocáveis, Colizzi manteve o filme extremamente tenso, com uma trilha sonora com momentos tenebrosos como a música intitulada Dies Irae. O vilão do filme Bill San Antonio feito pelo ator Frank Wollf, é um show de maldade, quase roubando a cena. O embate final da dupla com o vilão do filme pode figurar tranquilamente entre os melhores momentos do western. 

É triste saber que a trilogia do diretor Guiseppe Colizzi, ainda não chegou a era do bluray, e está jogada em algum estúdio apodrecendo, merece uma restauração e um lançamento com qualidade, dizem que a versão alemã em DVD de Deus perdoa ... Eu não! tem 12 minutos a mais. Vamos torcer para que Quentin Tarantino e seu Django Livre tenha conseguido trazer a "western mania" de volta, e clássicos como este não fiquem perdidos com suas versões toscas em DVD.

Deus perdoa ... Eu não! é o primeiro filme da dupla mais querida da história do cinema, e um clássico obrigatório aos fãs da dupla, e de um bom western sujo, sangrento, malvado e empoeirado. 



sábado, 26 de janeiro de 2013

Eles me Chamam Trinity (Lo Chiamavano Trinità, 1970)

Posted by Cândido Augusto on 17:09



Em tempos de Django Livre, nada melhor que revisitar as fontes de Tarantino, e assistir o clássico absoluto Eles me Chamam Trinity (Lo Chiamavano Trinità, They Call Me Trinity, 1970). Mas antes de falar sobre o filme do personagem Trinity, o que dizer sobre Quentin Tarantino e seu novo revival do western spaghetti?...uma pergunta muito recorrente costuma ser feita em todas as conversas sobre esse diretor: "Tarantino é mestre do cinema ou não passa de um aproveitador de obras alheias e plagiador?"

Eu costumo responder que ele consegue ser as duas coisas ao mesmo tempo, com certeza ele é um aproveitador de obras alheias sim, só que ele faz isso com tanta verve e petulância, e ainda adicionando um caldeirão de influências pop e diálogos memoráveis que acaba funcionando. Coisa que muitos outros diretores tentam, mas acabam quebrando a cara.

Ainda não assisti Django Livre e estou com um pouco de receio de ver, já que eu assisti muito filmes de western spaghetti e talvez acabe vendo mais plágio do que criatividade, espero que não. Já vi o Django original de 1966 com Franco Nero e acho quase impossível alguém superar a cena em que Django (Franco Nero) chega numa cidade totalmente enlamaçada, quase toda destruída, vestido todo de preto e puxando um caixão, isso é cinema puro, e aquele tipo de cena que você nunca vai esquecer.

 Se bem que até mesmo Django (1966) e seu concorrente de época Por um Punhado de Dólares (1964), dirigido por Sergio Leone, são considerados plágios do filme Yojimbo (1961) de Akira Kurosawa, tanto que Kurosawa processou Leone e ganhou 15% do filme em todo o mundo e os direitos exclusivos de distribuição para o Japão, Taiwan e Coréia. Kurosawa disse mais tarde que ele fez mais dinheiro com estes direitos do com o filme Yojimbo. Realmente é uma linha tênue saber o que é plágio e quando é homenagem.

Muitos disseram que o último representante do western, Clint Eastwood tinha dado a pá de cal no gênero com seu Os Imperdoáveis (1992), e que esse gênero estava morto e enterrado, mas parece que Tarantino discorda e trás de volta o personagem Django, que já foi usado e plagiado em várias outras obras. Até mesmo o Brasil tem sua versão plágio descarada vinda direta da boca do lixo das pornochanchadas, o filme Um Pistoleiro Chamado Papaco (1986) com o ator Fernando Benini, sim aquele mesmo que você pensou do elenco da novela Carrossel, do SBT, na qual ele atua como o carinhoso e educado inspetor de alunos Firmino Gonçalves da Escola Mundial. O filme está completo no youtube (link do filme) por enquanto, mas é por sua conta encarar essa trasheira braba. 

O lado bom é que talvez Quentin Tarantino consiga criar uma "western spaghetti mania" nas distribuidoras e filmes clássicos como os da série Trinity cheguem a era bluray, de preferência restaurados, pelo menos o primeiro teve uma versão DVD restaurada.  Mas vamos ao que interessa falar sobre Eles me Chamam Trinity (Lo Chiamavano Trinità, They Call Me Trinity, 1970), no Brasil o filme acabou ganhando vários títulos como Trinity é o Meu Nome que é o mais conhecido ou Me Chamam Trinity, eu resolvi usar o título que o próprio Terence Hill usa no filme. Mas a frente falarei da versão em DVD original lançado pela empresa Spectra Nova, vou vingar todo mundo que comprou essa versão. Trilha sonara para ler esta matéria (link)

A parceria entre Terence Hill e Bud Spencer nos westerns começou bem antes deste filme, foram feitos 3 filmes do gênero western com o diretor Giuseppe Colizzi intitulados: Deus perdoa ... Eu não! (Dio perdona... io no!, 1967),  Os 4 da Ave Maria (I quattro dell'Ave Maria, 1968) e A Colina dos Homens Maus (La collina degli stivali, 1969), malandramente depois do sucesso da dupla, todos os filmes acabaram levando o título "Trinity" em seus nomes, até mesmo filmes que nem eram western viraram "Trinity". Quando havia vida inteligente na Rede Globo a emissora proporcionou a quem teve a sorte de assistir, assim como eu o chamado "Festival Trinity". Sem falar do dia em que eles apareceram nos Trapalhões quando promoviam o filme Eu, Você, Ele e os Outros (Non c'è due senza quattro / Double Trouble, 1984). 




Tem que se agradecer muito ao cara que postou esse video no youtube é emoção pura para quem curtiu essa época.



A dupla criada por Bud Spencer e Terence Hill é idolatrada e amada por uma geração inteira, eram chamados de o Gordo e o Magro dos anos 80, foram e são ídolos até hoje. O filme Eles me Chamam Trinity (Lo Chiamavano Trinità, They Call Me Trinity, 1970) é dirigido por Enzo Barboni, coincidências a parte ele foi diretor de fotografia do filme Django (1966)  sem falar que Terence Hill foi o próprio Django numa dita "sequência" em Viva Django (Preparati la Bara, 1968), devido a sua semelhança com o ator Franco Nero. Um ano depois Bud Spencer e Terence Hill voltam em Trinity Ainda É Meu Nome (Trinity Is Still My Name, 1971). 




A história começa com Trinity viajando pelo deserto usando uma "cama padiola" arrastada pelo seu cavalo, cena essa copiada "ops" por Didi no filme dos Trapalhões. Trinity chega ao posto de diligências chaparral, até hoje não entendi o que uma vaca fazia em cima do telhado desse lugar, mas a vaca está lá no telhado. Dentro do lugar Terence Hill (Trinity) dá uma verdadeira aula de como se comer feijão, fica páreo a páreo com outra dupla clássica John Belushi e Dan Aykroyd  e seu Os Irmãos Cara De Pau (1980). Para sabermos qual é a melhor cena estilo glutão do cinema.



Ali estão dois pistoleiros caçadores de recompensa com um prisioneiro mexicano, que olham nos cartazes tentando reconhecer o forasteiro, Trinity está uma imundice só, onde os famosos "Blue Eyes" se sobressaem na sujeira, Terence Hill não tem olhos azuis, ele tem dois faróis de milha azuis na cara. Eles não o reconhecem pelos retratos. Após a aula de como comer feijão (Quem viu sabe..rs), 



Trinity vai até os pistoleiros e manda soltar o mexicano. Quando os caçadores de recompensam perguntam seu nome para saber o que colocar em sua  lápide, ele responde: "Eles me chamam Trinity". Um deles diz: "A Mão Direita do Diabo". Um deles até tenta atingi-lo pelas costas com um rifle através da janela mas Trinity o acerta sem olhar, e de costas!!!...Tudo bem Django fez isso no filme original, mas ora Terence Hill também foi Django!!!

Trinity e o mexicano seguem viagem e chegam a uma pequena cidade do Oeste. O xerife, é nada mais nada menos que Bud Spencer. Trinity fala com o mexicano que o xerife é conhecido como "A Mão Esquerda do Diabo". 

Os dois são irmãos, Bud Spencer é Bambino nome que ele odeia, Bambino conta que se disfarçou de xerife e aguarda sua quadrilha de ladrões de cavalo chegar para realizarem um assalto. As coisas se complicam quando os irmãos acabam se envolvendo em um conflito de terras entre um grupo de colonos Mórmons e o poderoso barão de terras Major Harriman vivido pelo ator Farley Granger. 

A cena mais antológica de todas é quando Bud Spencer (Bambino) e Terence Hill (Trinity) estão no acampamento dos Mórmons e chega uma quadrilha de saqueadores mexicanos, até mesmo a trilha  sonora que toca, quando esses mexicanos chegam é divertidíssima. O chefe dos mexicanos vivido pelo ator Remo Capitani (Mezcal) até respeita o líder dos Mórmons quanto ao não uso de armas no lugar, mas numa dessas visitas ele resolve dar tapa na cara de todos os Mórmons, até chegar no Bud Spencer (Bambino) aí meu amigo, é uma das cenas mais divertidas que o cinema já criou, que acabou virando marca registrada nos filmes da dupla. Nesse filme também não poderia faltar a famosa briga de bar, onde Bud Spencer da seus socos marretadas em grande estilo, isso é que tinha que ter sido feito em 48 frames!!!!!...rs




Trinity se apaixona por duas irmãs Mórmons, duas beldades loiras as atrizes Gisela Hahn (Sarah) e Elena Pedemonte (Judith)  e convence o irmão a ficar do lado dos colonos contra o barão de terras Major Harriman.



 O Major contrata dois matadores de aluguel, um deles curiosamente tem o nome de Mortimer uma piadinha para o filme Por Alguns Dólares a Mais (For a Few Dollars More, 1965)  até as roupas são parecidas com o personagem Lee Van Cleef e seu Coronel Douglas Mortimer. Nessa conversa onde Trinity tenta convencer Bambino também existe a cena onde Trinity aparece todo vestido de preto, uma referencia a sua época de Django talvez.


Bambino ama seu irmão Trinity olha este diálogo, quando Bambino descobre que um de seus planos não deu certo graças a Trinity: "Não estou irritado com você, mas com nossa mãe, ela devia tê-lo estrangulado quando nasceu".

Acho que já falei demais, pode ter gente que ainda não assistiu. Esse filme é filme de cabeceira, um clássico com trilha sonora a cargo de Franco Micalizzi aquela tipo de trilha que você vai assobiar o dia todo e não vai enjoar.  Tarantino resolveu pegar emprestada a trilha para seu Django Livre, então nada melhor que curtir a fonte original. Eles me Chamam Trinity (Lo Chiamavano Trinità, They Call Me Trinity, 1970) foi remasterizado e está intitulado atualmente como Trinity é meu Nome. Uma obra prima do western spaghetti pancadaria, que ainda influencia cineastas ao redor do mundo. E este video em particular merece ser visto quem é fã vai se emocionar com toda certeza, onde nosso heróis recebem o prêmio David di Donatello 2010 que é o mais importante prêmio cinematógráfico da Itália. 



Recado a Spectra Nova:  A edição restaurada infelizmente é um item dificílimo de conseguir , o meu DVD Original foi feito pela empresa Spectra Nova, ah agora sim. Não é possivel que uma empresa lance um produto tão lixo como esse, quem fez a capa desse DVD ?...Essa porra foi feita no paint? ou colou com fita durex e tirou foto?... Quem foi o animal que fez esse menu horrorozo, sua mãe anda aonde, tava com raiva da vida seu infeliz?. A industria gosta de processar quem baixa filme pirata, e quem compra original e é presenteado com um filme que parece pirata?. O filme parece um VCD, parece que eles fizeram cópia de uma fita VHS podre não é possível, se aparecer o responsável por esse DVD na minha frente vai levar um socão estilo Bud Spencer isso é ameaça sim. Não sabe trabalhar vai filmar aniversário de criança infeliz. DVD original empresa Spectra Nova fique alerta, se é que esses irresponsáveis ainda existem, fuja desse DVD.

Vagando pela internet encontrei essa imagem a baixo, se você também disse a frase: "Porra isso tinha que estar na minha estante" você não está sozinho!!



sexta-feira, 16 de março de 2012

...Era Uma Vez no Humor

Posted by Cândido Augusto on 16:18


O humor no mundo está acabando, pelo menos o humor com classe e inteligência já acabou. Pode parecer uma análise pessimista, mas se pararmos realmente para analisar a atual situação é o que acontece. Para mim os pilares do humor se baseiam nos imortais Buster Keaton, Charlie Chaplin, na querida dupla Oliver Hardy e Stan Laurel, Jerry Lewis, Peter Sellers e Leslie Nielsen. Isso apenas para citar os medalhões, mas adiante citarei outros que me fizeram dar boas gargalhas e me divertir muito.

Buster Keaton - Infelizmente foi o que eu tive menos contato, também pela idade não daria!!..rs. Mas o humor de Keaton hoje em dia é representado por Jackie Chan. Keaton fazia muito uso de quedas, correrias e fugas, e Jackie é um grande fã de Keaton como ele mesmo já declarou "Eu só quero que as pessoas se lembrem de mim como eu me lembro de Buster Keaton", Ele diz também que gosta dos filmes mudos antigos pois mesmo sem som, os atores conseguem passar muitos sentimentos para a platéia,  E com certeza Jackie Chan conseguiu elevar isso ao máximo.


Charlie Chaplin - Gênio não existe mais nada a se falar, Chaplin foi ator,  produtor,  empresário, escritor,  dançarino, roteirista , regente de orquestra, diretor, filósofo e fundador da companhia cinematográfica United Artists, dono de um humor inteligente sentimental e  completamente puro, e quando digo que ele também foi um filósofo não estou brincando já que são deles frases do tipo:
 "Creio no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror"

" A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos."

Obras como “Carlitos, o vagabundo” (1915); “Em Busca do Ouro” (1925), “Luzes da Cidade” (1931) e  “Tempos Modernos” (1936) são inesquecíveis, eu desafio qualquer pessoa a não morrer de rir com paródia de Adolf Hitler que ele fez em “Grande Ditador” fica na mente para toda a vida um humor feito com inteligência sem apelar para nada. Existe um Chaplin mexicano mas eu comentarei mais a frente.

Oliver Hardy e Stan Laurel  - No Brasil conhecidos como o Gordo e o Magro foram uma das duplas mais queridas da história do cinema, com um humor inteligente e visual. Na época da mudança do cinema mudo para o falado muitos atores simplesmente desapareceram, mais a dupla atravessou essa transição sem problemas. A dupla soube combinar visual e os diálogos de forma perfeita e graciosa. Laurel com sua loucas tolices e seu olhar inocente e melancólico  Hardy com seu jeito bonachão e impaciente.

Com a morte de Hardy, Laurel se retira do cinema. E como grandes histórias se cruzam ninguém menos que Jerry Lewis consegue tirar Laurel da reclusão. Um dos primeiros filme dirigidos e interpretados por Lewis O Mensageiro Trapalhão (The Bellboy, 1960) é inspirado em Stan Laurel.  Jerry Lewis consultou a opinião de Stan Laurel sobre o roteiro, e ele ofereceu a Lewis sugestões para o filme. Anos mais tarde surgiria o Gordo e o Magro italianos mas comentarei mais a frente.

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