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segunda-feira, 14 de março de 2016

Ip Man 3 (2015) - Donnie Yen vs Mike Tyson

Posted by Cândido Augusto on 17:56


Alguns podem estranhar a demora de uma nova resenha do Neuralizador Digital, mas realmente poucos filmes fazem você pular da poltrona. A grande expectativa era O Tigre e o Dragão 2: A Espada do Destino (2016), mas o filme não sai do mediano, e o pouco que se salva devemos a Donnie Yen e a presença marcante de Michelle Yeoh. Não chega nem perto do que foi feito em O Tigre e o Dragão (Crouching Tiger, Hidden Dragon, 2000), o mais estranho é que a direção é de Yuen Woo-ping que com menos já tinha criado um pequena obra prima chamado (A Lenda /Su Qi-Er / True Legend, 2010). Talvez o uso cada vez mais desmedido do 3D no cinema asiático esteja causando esse erros graves. 

Mas muito do que ficou faltando em O Tigre e o Dragão 2: A Espada do Destino (2016), Donnie Yen traz para Ip Man 3 (2015). Desde que iniciou a saga Donnie não decepciona seus fãs em O Grande Mestre (Ip Man, 2008) Donnie já tinha dado um show de lutas impressionantes e extremamente bem coreografadas, e na continuação O Grande Mestre 2 (Ip Man 2, 2010), se superava ainda mais. Mas o que é mais impressionante é que Donnie Yen está com 52 anos e não diminui o seu ritmo, mostrando condicionamento físico de fazer inveja a atletas olímpicos. 

Importante destacar que existe uma pequena confusão sobre quantos filmes sobre o mestre Ip Man existem e qual cronologia está certa. Porque muitos sites de venda de Bluray e até mesmo a Amazon misturam as sagas, vendem os dois primeiros filmes de Donnie Yen junto com um "terceiro" filme, que não faz parte direta, já que pertence a outro diretor e elenco, O Grande Mestre - Nasce Uma Lenda (Ip Man - The Legend Is Born, 2010)

Para os fãs de mestre Ip existem agora um total de seis filmes para serem assistidos. Os filmes que pertencem a Donnie Yen O Grande Mestre (Ip Man, 2008), O Grande Mestre 2 (Ip Man 2, 2010) e O Grande Mestre 3 (Ip Man 3, 2015). Os filmes que pertencem ao diretor Herman Yau como O Grande Mestre - Nasce Uma Lenda (Ip Man - The Legend Is Born, 2010) e O Grande Mestre - A Batalha Final (Ip Man - The Final Fight, 2013) e ainda um filme do ator Tony Leung The Grandmaster (2012) que tem coreografias de lutas feitas também por Yuen Woo-ping. 

Ip Man 3 (2015) trás de volta Donnie no papel de Yip Man o famoso professor de Bruce Lee, mas a aparição de Bruce Lee no filme realmente é a parte mais questionável. Deixando isso de lado já que a saga não segue fatos com fidelidade histórica, se concentrando mais no que interessa a ação. Nesse quesito o filme entrega tudo que os fãs desejam, novamente temos o soberano Yuen Woo-ping como coordenador das cenas de ação. 


Para digamos o "vilão" deste filme temos ninguém menos que Mike Tyason, assim mesmo entre aspas. Porque muitos podem não gostar do desfecho da luta entre Donnie Yen e Mike Tyson. Mas o que interessa é que esses são os grandes momentos que só o cinema pode proporcionar. Uma homenagem direta ao filme Jogo da Morte onde Bruce Lee enfrentava Kareem Abdul-Jabbar. 


Talvez esse seja o único problema do filme já que não temos um grande vilão a quem odiar, ficando a cargo de antagonista o ator Zhang Jin. Que já tinha feito um grande vilão no filme SPL 2: A Time of Consequences (2015). Destaque também para a cena do elevador onde Donnie Yen enfrenta um especialista de Muay Thai, que facilmente entra para aqueles momentos de ouro do cinema de artes marciais. 

Ip Man 3 também não deixa de lado seu lado dramático dando mais ênfase a relação de Ip Man com sua esposa, com belas cenas de Donnie com a atriz e Lynn Hung. Ip Man 3 entrega boas doses de ação impressionante, drama e introspecção na medida certa. 

Os fãs que acompanham a saga não vão se decepcionar, Donnie Yen já deu declarações que este seria seu último filme no papel de Ip Man, mas o filme deixa o final em aberto e pronto para um Ip Man 4, a única coisa que sabemos é que, se é um filme de Donnie Yen nunca decepciona.


sábado, 22 de setembro de 2012

Raging Phoenix (Deu suay doo, 2009) com Jeeja Yanin

Posted by Cândido Augusto on 16:49


Quando Bruce Lee elevou o nível dos filmes de artes marciais, e colocou essa forma de arte no seu devido lugar, transformou os rumos da história do cinema. Cada um dos artistas marciais que vieram depois acrescentaram seus toques pessoais. Jackie Chan adicionou suas acrobacias espetaculares e cenas extremamente perigosas e o famoso estilo bêbado em Drunken Master (1978). Jet Li levou o Wushu a velocidades incríveis, até atores que não conheciam Jet Li e tiveram contato com o ator disseram que, o que era visto na tela é real. Quem pode ver os documentários de Máquina Mortífera 4 (1998) e a entrevista da atriz Rene Russo falando que os socos de Jet Li realmente faziam aqueles barulhos no ar pode constatar. Atualmente Donnie Yen continua mantendo o alto nível das produções e a tradição do estilo Hong Kong.

Mas outros países vem ganhando cada vez mais espaço no gosto dos amantes dessa forma de arte em película. A indonésia com seu brutal The Raid: Redemption (2011) e a Tailândia apostando nos seus dois maiores astros Tony Jaa e na nova rainha das artes marciais Yanin "Jeeja" Vismitananda.

Raging Phoenix é o segundo filme de Jeeja Yanin, se no filme Chocolate (2008) ela era o personagem principal, neste o trabalho é dividido em equipe. O personagem principal fica a cargo do artista marcial Kazu Patrick Tang (Sanim) que já trabalhou com Jet Li no filme Cão de Briga (Unleashed, 2005). Não sei se apenas eu vi isso, mas quando olho para esse ator fico esperando ele gritar "Change Dragon", devido a sua semelhança com o ator da série Esquadrão Relâmpago Changeman.

Raging Phoenix não é dirigido pela nova referencia em termos de pancadaria Prachya Pinkaew que foi responsável por Ong Bak (2003), O Protetor (2005) e Chocolate (2008) ficando aqui creditado apenas como produtor. A direção ficou nas mãos do novato Rashane Limtrakul, talvez por isso o filme tenha tantos altos e baixos. 

A começar pelo enredo surreal demais até para quem curte este gênero, a história gira em torno de uma quadrilha de seqüestradores,  que seqüestram apenas mulheres que exalam uma fragrância distinta, extraem delas suas lágrimas para fabricação de um elixir que daria super força e rejuvenescimento para quem bebesse, valendo milhões no mercado negro.

 Abrindo uma exceção para essa doideira, o filme funciona. Já que o roteiro poderia ter abordado apenas o tráfico de pessoas que soaria bem mais realista e daria outro tom ao filme.

Jeeja Yanin prova mais uma vez que além de lutar muito bem, consegue atuar de forma cômica ou dramática com a mesma desenvoltura. Transformado-se na maior heroína do cinema de ação da atualidade e com o merecido título de nova rainha das artes marciais. Neste filme sua personagem chamada (Deu), sim é esse nome mesmo, é baterista de uma banda que ao ver a traição de seu namorado parte para cima dele durante um show para tirar satisfação. 

 
Com isso ela consegue perder o namorado e ainda ser expulsa da banda. Solitária e sem ninguém passa a beber até cair, num desses momentos, ela é seqüestrada pela quadrilha liderada por um capanga transexual. A maioria dos filmes da Tailândia tem um transexual no elenco, lembrando os filmes de Pedro Almodóvar que sempre recorriam as figuras exóticas urbanas. Seria interessante ver Almodóvar dirigindo um filme de artes marciais, seria bem melhor do que Keanu Reeves. Até mesmo nosso amigo balofão Steven Seagal já enfrentou um em Resgate sem Limites (2003).

Mas voltando ao nosso filme Jeeja Yanin (Deu) tem a tal "fragrância" e é salva por Sanin (Kazu Patrick Tang). Ela acaba conhecendo os companheiros de Sanin os hilariantes Pigshit (Nui Saendaeng), Dogshit (Sompong Lertwimonkaisom) e o soturno Bullshit (Boonprasayrit Salangam), que resolvem ensinar a menina seus estilos de lutar.

  
A profusão de estilos de lutas acaba criando coreografias inconstantes principalmente quando é usado break-dance como forma de luta, alguns golpes parecem sem impacto e suaves demais. Diferente do que aconteceu no filme A Lenda (Su Qi-Er / True Legend , 2009) que também usou street-dance, e se saiu muito melhor. Mas esse filme era dirigido pelo mestre supremo Yuen Woo Ping, então não dá para comparar.

Mas quando é usado Muay Thai a coisa muda de figura com movimentos bem letais e perigosos. Até uma arte chamada Meyraiyuth, é usada onde combina boxe bêbado (Momento Jackie Chan) com a Capoeira. E até mesmo movimentos de Parkour são usados . A Tailândia é adepta da escola Jackie Chan, contusões, ferimentos e cenas perigosas são recorrentes. Se Jackie Chan era criticado por colocar sua vida em risco e a de seus dublês, imagina como não é na Tailândia. E neste filme as referencias e cenas que lembram Jackie Chan são inúmeras.

 
Vale destacar que mesmo o diretor Rashane Limtrakul sendo novato, soube filmar as lutas de forma precisa, com bons enquadramentos. Imagine se esse filme fosse filmado por Michael Bay, Marc Forster ou Paul Greengrass e suas câmeras com mal de Parkinson?. Teríamos aberrações como nos filmes de Bourne e James Bond versão Daniel Craig. O diretor Rashane Limtrakul mesmo com pouca experiência consegue criar algumas cenas que fariam inveja a muito diretor de hollywood.

A cena de combate de Jeeja Yanin contra o personagem Bullshit tem uma fotografia belíssima,  com cores vibrantes e saturadas com um cenário impressionante, a cena de luta é aquela onde você vai acabar apertando a tecla rewind de seu controle remoto para ver novamente. 


Os momentos com uso de CGI não são dos melhores, parece que tem alguém na mesa de edição fanático pelos plug-ins da empresa Red Giant,  não sei se foram exatamente esses que foram usados, mas aparenta muito.

O filme acaba se dividindo em dois momentos distintos, começa de forma cômica e depois entra nos dramas pessoais de cada personagem, causando esses altos e baixos também no roteiro. O clímax do filme se dá quando o grupo consegue localizar o esconderijo dos seqüestradores e encontrar a líder do grupo interpretada pela campeã de fisiculturismo tailandês Roongtawan Jindasing

Aproveitado esse lado físico da vilã seus combates com Sanin (Kazu Patrick Tang) são bem coreografados, mas como ela não é uma lutadora o uso de dublês fica evidente.  Até o "golpe dos Trapalhões", aquela famosa estrela que Didi e Dedé faziam em seus filmes tem seu momento. Será que os filmes dos Trapalhões estão circulando na Tailândia?. Não que esse golpe esteja cômico, aqui é usado para machucar mesmo. Estranho também é a vilã estar usando um tênis estilozinho "bamba calçados", não era melhor um coturno militar?  Ela ficaria mais ameaçadora. 

Os furos de roteiros ficam exagerados, já que até o badalado estilo bêbado e deixado de lado e o grupo está totalmente sóbrio.

Mas o que os fãs querem é Jeeja Yanin em ação. E no combate final ela faz valer o título do filme "phoenix furiosa", renascendo das cinzas e encarando a vilã no melhor estilo joelhadas e cotoveladas, e com um pouco do estilo bêbado, a fluidez de Jeeja nas cenas de lutas é incrível, dona de um chute veloz e muita elasticidade faz valer seu terceiro Dan em Taekwondo, aqui você nem precisará apertar a tecla de rewind do seu controle remoto para rever determinada cena, porque em alguns momentos o próprio diretor faz isso, parecendo que nem mesmos eles conseguem acreditar que filmaram uma cena tão foda de luta. 





Sem falar que os fãs vão vibrar com o momento Rocky Balboa onde Jeeja leva golpes brutais de sua oponente e continua avançando. Esse pequenos detalhes fazem valer o filme, o desfecho não recorre aos finais previsíveis. Jeeja termina o filme toda suja, rasgada e sangrando no melhor estilo John McClane. 


O filme pode ser inconstante, mas se você assim como eu adora ver Jeeja Yanin em ação e considera ela uma substituta a altura de Michelle Yeoh, o filme merece ser conferido. Jeeja não é apenas a versão feminina de Tony Jaa, seu estilo de luta evolui a cada filme. Eu aguardo com grande expectativa a participação de Jeeja no filme O Protetor 2 ao lado de Tony Jaa ainda mais dirigido por Prachya Pinkaew. Enquanto o filme não sai, confira Raging Phoenix, o estilo Muay Thai vem garantindo grandes filmes do gênero e com certeza na próxima vez que você jogar Street Fighter você vai acabar escolhendo o Sagat.


 

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